Veja nossa entrevista com Oswaldo Prado, teólogo e missionário da Sepal, e entenda a importância de a igreja dar assistência a quem está em missão

Eles são corajosos. Em um determinado momento de sua jornada de fé, ouviram o chamado para fazer parte da sublime missão de espalhar a mensagem do evangelho pelo mundo. Para isso, muitos deixaram família, amigos, país e cultura, para avançar pela terra e levar pessoas a Cristo.

Longe de serem protagonistas de uma aventura romantizada, de uma viagem eufórica e fantasiosa, os missionários vivem situações que não são fáceis. Em seu dia a dia há muita luta, renúncia, suor e trabalho. Nele, conjugam-se desafios dos mais variados matizes em áreas como: saúde física e emocional, estabilidade financeira, criação de relacionamentos, tensões no trabalho, perseguição religiosa e, em contextos mais radicais, até risco de vida. É por isso que a igreja precisa prestar atenção ao cuidado dirigido àqueles que estão em campo.

Para tratar do assunto, conversamos com Oswaldo Prado, missionário da Sepal, autor, preletor internacional, teólogo e mestre em Missiologia. Em entrevista à MC, Oswaldo compartilha sua longa experiência no contato com missionários, elucida pontos delicados acerca da vida em missão e deixa insights importantes para que a igreja dê assistência a esses valentes homens e mulheres de Deus. Confira!

Mundo Cristão: Quais são as carências emocionais mais comuns vivenciadas pelos missionários em campo? Por que isso acontece?

Oswaldo Prado: Ao logo dos últimos trinta anos, tendo visitado missionários que servem especialmente em outras culturas. Tive a oportunidade de observar as mais variadas reações desses homens e mulheres que corajosamente aceitaram o desafio de compartilhar do evangelho de Jesus. Partindo da premissa de que cada um deles tem sua própria história de vida e formação, as necessidades emocionais que se apresentam também diferem umas das outras.

Por outro lado, a meu ver, existem algumas carências emocionais que se repetem na vida dos missionários. Para aqueles que servem transculturalmente, ou seja, em outras culturas, o sentimento de rompimento com a família e a comunidade à qual pertenciam causa um sentimento de solidão e, algumas vezes, até de abandono. Amigos, família, mentores e pastores que estavam próximos agora são apenas imagens distantes.

Dependendo do nível de transculturalidade, esse missionário também carrega dentro de si uma luta interna intensa que se reflete em suas emoções: o aprendizado de uma nova língua, os ajustes a uma nova cultura, a busca de novos relacionamentos, sem contar a pressão muitas vezes encoberta de que existe uma grande expectativa de rápidos resultados por parte da igreja e daqueles que o mantêm financeiramente. Esses e outros movimentos na vida do missionário podem causar grande dor emocional.

Nesse sentido, o que a falta de assistência pode gerar?

Como latinos, temos a marca de sermos relacionais. Apreciamos estar ao lado de pessoas, gostamos de conversar com elas, de ter momentos de comunhão. Não poderia ser diferente em relação aos processos de recrutamento, treinamento e envio dos missionários aos seus respectivos campos. O que tenho notado é que, até o momento do envio, o missionário normalmente recebe o cuidado necessário por parte da igreja local e da organização missionária a qual está vinculado. Os problemas podem começar a acontecer após o missionário deixar o seu “habitat”.

E por que isso ocorre? Porque as relações, antes bem próximas e efetivas, deixam de acontecer quando o missionário está em campo. Aquilo que chamamos de “cuidado missionário”, que deveria ser realmente desenvolvido junto ao obreiro, raramente ocorre, situação que provoca uma sequência de dores emocionais.

Infelizmente, são constantes os relatos de missionários que raramente recebem assistência e que, com isso, têm passado por situações desanimadoras.

Quais são as outras causas que podem desanimar o missionário em campo?

Entre tantas, destacaria a interrupção dos compromissos financeiros assumidos pela igreja enviadora e por pessoas físicas. Isso imprime um grande peso na vida do missionário. Estar com o orçamento comprometido e não ter os recursos em seu próprio país é totalmente diferente daquele que, por estar longe e muitas vezes sem uma comunicação efetiva, passa pelos riscos constantes de não conseguir pagar suas contas em solo estrangeiro.

Também sinalizaria possíveis desgastes no relacionamento com outros missionários da própria equipe e com líderes de igrejas em que o missionário serve, o que pode gerar profundo abatimento.

Quais benefícios a assistência aos missionários traz ao próprio Corpo de Cristo, a Igreja?

Ao longo da história missionária, existiram projetos que foram extremamente abençoadores, não somente para o campo em que o missionário estava servindo, mas também para a Igreja. O maior benefício é que, quando isso acontece, as portas se abrem para que a missão de Deus avance pelo mundo e o reino seja estabelecido em lugares onde ainda ele não estava presente. •

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Este post tem um comentário

  1. Itamar

    Gostei muito! Pois temos uma filha/genro e netos na Missão! E sabemos que não é fácil a saudades! Queria tanto abraçar meus netos!!! Beija-los!!!
    Do Jesus!!!
    Gostei! Pr Oswaldo Prado um homem apaixonado por Missões!!!
    Ótimo texto!!! Esclarecedor!! Top!
    👍👏

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