5 princípios fundamentais que todo tradutor precisa saber

Confira os insights de Emirson Justino, tradutor de vários títulos do catálogo MC, e saiba mais sobre o perfil do profissional da área

Em 2019, completo 21 anos trabalhando como tradutor! Aprendi e descobri muita coisa nesse período. Aprendi que o trabalho de tradutor – solitário, de autogerenciamento e que exige muita pesquisa – não é para qualquer um, apesar de também ser bastante prazeroso! Descobri que a atividade envolve muito mais aspectos do que a simples “conversão” de um texto de um idioma estrangeiro para a nossa língua. Vejamos alguns aspectos ligados a essa atividade.

Um ponto de partida é: tenho tudo o que é necessário para ser tradutor? Já que essa pergunta pode ser feita para qualquer pessoa em qualquer área de atuação (mude “tradutor” para “engenheiro”, “jogador de futebol”, “advogado” etc. e a indagação continua válida!), vamos às peculiaridades da carreira de tradutor.

O tradutor precisa ser um eterno pesquisador.

É fundamental estar atualizado sobre o que anda acontecendo no mundo e, de maneira especial, no ambiente onde o autor vive ou viveu. Do mesmo modo, estar “antenado” com as tendências atuais garante que o texto traduzido retrate com fidelidade o modo de ser do nosso tempo.

Além disso, é fundamental conhecer ferramentas e recursos disponíveis na área de tradução. As chamadas “máquinas de tradução” – cujo exemplo mais simples e conhecido da população em geral talvez seja o Google Tradutor – podem auxiliar o profissional em determinadas questões, mas (ainda!) não são capazes de eliminar a função humana. Sites que apresentam bases de dados de traduções também podem ajudar a encontrar “aquela” palavra que faltava!

O tradutor precisa ter grande conhecimento dos dois idiomas.

Uma pergunta muito comum é: “Quem é o melhor tradutor: aquele que sabe bem o português ou a língua do texto a ser traduzido?”. Bem, a experiência me ensinou que o bom tradutor é aquele que conhece bem as duas, e talvez seja ainda melhor aquele que tem mais domínio do português! É comum notar uma pessoa estrangeira que tem dificuldades para expor em português um pensamento, um ditado ou uma expressão típica do seu idioma. O tradutor precisa compreender as estruturas da língua de partida e, então, encontrar as palavras corretas na língua de chegada para expressar aquela ideia de uma maneira que faça sentido para seus leitores.

O tradutor precisa conhecer as culturas.

Cada cultura tem seu conjunto próprio de símbolos, ideias e expressões, usado naturalmente pela população. Em países do hemisfério norte, por exemplo, é comum ver o cervo como um animal que representa força e poder. É desnecessário dizer que essa analogia não seria adequada no Brasil! Noções sobre política, esportes, costumes sociais e familiares são imprescindíveis.

O tradutor precisa conhecer o processo editorial.

Quando comecei a traduzir livros, fiquei surpreso com a quantidade de etapas e de pessoas envolvidas na produção de uma obra literária. O texto entregue pelo tradutor passará por muitas mãos até que esteja disponível para comercialização. Isso não quer dizer que o tradutor pode “deixar passar” certas falhas, confiante de que alguém consertará seu erro nas etapas seguintes. Sim, isso vai acontecer, mas quanto mais limpo o trabalho for entregue, melhor será para todos!

O tradutor precisa cumprir com suas obrigações legais.

Existe legislação fiscal específica para a área editorial que tanto editoras como tradutores precisam respeitar. Embora vivamos no país do “jeitinho”, precisamos romper com essa prática tão prejudicial a todos. Há meios totalmente legais de trabalhar nessa área, com custos operacionais reduzidos, de modo que é preciso se informar sobre esses caminhos junto a um contador e à editora à qual o serviço é prestado. Sempre há uma saída, e ela nunca é sonegar impostos!

De fato, ser tradutor não é para qualquer um, mas pode ser a atividade profissional daquele que se empenhar! Como lemos em Provérbios 12:14, “as palavras sábias produzem muitos benefícios, e o trabalho árduo é recompensado” (NVT). •

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